“It ain’t what you don’t know that gets you into trouble. It’s what you know for sure that just ain’t so” Samuel Longhorn Clemens

O judaísmo cultua a ideia de que a vida é um ciclo que se repete anualmente e se celebramos as festividades, como se ela estivesse ocorrendo hoje.

Em Pessach (que celebra a saída dos Hebreus do Egito) “Em cada geração, cada pessoa deve ver a si mesma como se tivesse saído do Egito.” A palavra Pessach significa “passar por cima” (em inglês Passover). Que simboliza que na 10ª praga do Egito, quando o Anjo da Morte passou “por cima” das casas dos hebreus (por isto das casas judaicas há uma mezuzá na porta da entrada), sem matar os primogênitos.

Atenção quando este povo saiu do Egito eram HEBREUS, nome que Abrão, o Patriarca. recebeu, cujo significado: “O que veio do outro lado” (da Mesopotâmia). O Termo Judeu surge em ~900 AC, quando houve a divisão do Reino de Israel em dois, no reino do sul, ficaram os descendentes de Judá (um dos 12 filhos de Jacob)

Neste texto quero comentar sobre quatro assuntos:

  1. Um pouco da História de Moises (com alternativa)
  2. As mulheres em torno de Moises
  3. A descendia de Moises
  4. Algumas semelhanças entre a Pascoa Cristã e o Pessach

1) A História de Moises

Esta história ocorreu (relato bíblicos, não bíblicos e arqueológicos) entre os séculos XVII e XIII AC, durante o Novo Reino, sendo a 18ª ou 19ª dinastia do Egito.

 Não sabemos quem é o Faraó da época, pois os textos sagrados não o nominam. Alguns autores especulam que seja Ramsés II ou III.

A Religião era politeísta e o principal D’us é Aton:

  • Invisível / misterioso
  • Universal, mas dentro do politeísmo
  • Culto complexo, com:
    • templos enormes (como Karnak)
    • sacerdotes poderosos

Mas uma alternativa bem interessante, que Freud levanta em seu livro “Moises e o Monoteísmo” é que isto tenha acontecido durante o Akhenaton (Amenófis IV), que reinou aproximadamente entre 1353–1336 a.C., durante o Novo Império do Egito (XVIII dinastia).

Este Faraó é o pai de Tutancâmon. Ele criou uma Capital Nova do Egito em Amarna e muda totalmente a religião Egípcia (Modelo “copiado” por Henrique VIII) passando para um “Proto-Monoteísmo”, passando a ter um só D’us Aten

  • Visível: o próprio sol
  • Não antropomórfico
  • Sem mitologia complexa
  • Culto direto à luz/energia

 Aten = manifestação física do sol como divindade

Amon é um deus invisível e abstrato dentro do politeísmo
Aten é o próprio sol visível elevado a divindade única

Por que Akhenaton rompeu com Amon?

Essa é a chave histórica:

  • O culto de Amon tinha:
    • enorme poder econômico
    • sacerdotes influentes
  • Akhenaton:
    • enfraqueceu esse sistema
    • criou um culto controlado diretamente por ele

Ou seja:

  • Não foi só religioso
  • Foi também uma revolução política

Após sua morte:

  • Seu filho Tutancâmon restaurou o culto tradicional
  • Possivelmente por pressão dos Sacerdotes, que tinham perdido relevância e riqueza.
  • O nome de Akhenaton foi apagado (damnatio memoriae)
    • Imagens foram destruídas
    • Se nome foi riscado de inscrições
  • O Egito voltou rapidamente ao politeísmo clássico
  • Possivelmente por pressão dos Sacerdotes, que tinham perdido relevância e riqueza.

 Ou seja, foi uma experiência religiosa radical, mas politicamente insustentável.

Moisés pode ter se inspirado em Akhenaton?

Essa é uma hipótese fascinante — mas não comprovada.

A teoria (principalmente moderna)

  • Popularizada por autores como Sigmund Freud (em Moses and Monotheism)
  • Sugere que:
    • Moisés teria vivido após Akhenaton
    • Poderia ter sido influenciado pela ideia de um deus único (Aten)
    • Ou até teria sido egípcio ligado a esse movimento
    • Moises seria na verdade Egípcio
    • O nome Moses tem uma origem egípcia, e seu significado seria “Filho de”. Freud chega a especular que seu nome real seria Aten-Moses (filho de Aten)

O que favorece essa hipótese?

  • Coincidência temporal possível:
    • Akhenaton: ~1350 a.C.
    • Êxodo (segundo algumas cronologias): ~1300–1200 a.C.
  • Primeira tentativa conhecida de “quase monoteísmo” na história
  • Proximidade geográfica e cultural

O que vai contra?

  • Não há evidência histórica direta ligando Moisés a Akhenaton
  • O monoteísmo hebraico é muito diferente:
    • Deus pessoal, ético e transcendente (não solar/natural)
    • Relação de aliança (não culto estatal imposto)
  • A tradição israelita pode ter raízes próprias no Levante (não necessariamente no Egito)

O meio termo:

  • Akhenaton foi o primeiro grande governante a tentar impor um culto quase monoteísta na história documentada.
  • A ideia de que Moisés se inspirou nele é:
    • intelectualmente interessante
    • possível em teoria
    • mas sem comprovação histórica sólida

É sempre preciso lembrar que existem relatos mais antigos que da Bíblia, que contém relatos que vão aparecer 1.000 anos depois no Velho Testamento citados, que contém histórias bíblicas, como

  1. A Epopeia de Gilganesh
    1. Teria ocorrido em 2.700 AC (~1400 antes da saída do Egito
    • Tem um relato sobre o Diluvio muito semelhante ao da Bíblia.
  2. Sargão Rei de Acádia, 1º império centralizado da Mesopotâmia (2.300 AC)
    • Texto antigo (séculos antes da Bíblia):
    • “Minha mãe me colocou num cesto de junco…
      Ela me lançou ao rio…
      O rio me levou… e fui resgatado…”

2) As mulheres em torno de Moises.

De qualquer forma, este não é o aspecto que quero dar mais atenção neste texto. Meu destaque são as mulheres que circundam Moises e como elas uma enorme importância, mas como “Velho Testamento” é muito machista, não são comentadas. Quero falar sobre algumas delas, sendo que muitas destas informações não tem nenhuma prova histórica, elas são:

  • Sifrá e Puá. São as parteiras que recebem do faraó a ordem de matar os meninos hebreus, mas desobedecem. Na prática, elas são a primeira resistência ao projeto de morte do faraó.
  • Yochebed, a mãe Ela é esposa de Anrão/Amram e mãe de Aarão, Moisés e Miriam. No enredo do Êxodo, é ela quem esconde Moisés por três meses; depois, quando não consegue mais ocultá-lo, o coloca no cesto no Nilo. Pela iniciativa de Miriam e pela compaixão da filha do faraó, a própria Joquebede volta a cuidar do menino e ainda recebe pagamento para amamentá-lo; quando ele cresce, ela o leva de volta à filha do faraó, que o adota. Depois disso, a Bíblia não volta a contar o destino dela
  • Miriam, a irmã. (comentário à parte: Miriam é o nome em hebraico de Maria).
    • Primeiro ela aparece como a irmã que observa o cesto à distância e age na hora certa para reconectar Moisés à própria mãe.
    • Mais tarde, já adulta, é chamada de profetisa e lidera as mulheres com tamborins e danças depois da travessia do mar.
    • Em Números 12, Miriam e Aarão falam contra Moisés por duas causas:
      • A “mulher cuxita”, que seria a 2ªesposa de Moises, por não ser hebreia (mas Zipporah também não era)
      • Eles questionam se Deus fala apenas através de Moisés ou também por Miriam e Aarão. Então a desavença parece ter duas camadas: a mulher de Moisés é o gatilho visível, mas o centro do conflito acaba sendo a autoridade espiritual única de Moisés.
      • A morte de Miriam é contada com clareza: ela morre e é sepultada em Cades (um oásis no deserto do Sinai)
  • A Princesa do Egito:
    • Embora permaneça anônima na Bíblia, ela encontra o bebê, reconhece que é hebreu, se compadece dele, o adota e lhe dá o nome Moisés.
  • As Esposas de Moises:
    • Zipporah. Filha do sacerdote de Midiã e esposa de Moisés. Moisés a conhece depois de fugir do Egito, quando ajuda as filhas de Jetro/Reuel junto ao poço; depois se casa com ela. No caminho de volta ao Egito, Zípora intervém numa das cenas mais enigmáticas da Bíblia, em Êxodo 4:24–26, e seu gesto faz cessar o ataque divino. Por isso, ela também aparece como alguém que “salva o libertador”
    • A mulher de Cuxe/Kush. Em Números 12 é mencionado uma “mulher cuchita/cuxita” casada com Moisés. Alguns intérpretes a identificam com Zípora; outros acham que pode ser outra esposa. O texto não resolve isso de forma clara.

O quadro geral é bonito e forte: Moisés é o libertador, mas sua vida é salva, formada e sustentada por mulheres.

  • Sifrá e Puá: Parteiras, que o protegem de ser morto
  •  Yochebed, e lhe dá a vida, o amamenta e o protege
  •  Miriam o vigia, o reconecta à mãe e depois lidera o povo;
  •  A filha do faraó o resgata e adota;
  •  Zipporah o acompanha em Midiã e o salva numa hora decisiva.
  • A Mulher de Cuxe

3) OS DESCENDENTES DE MOISES:

Os descendentes de Moises: os filhos (Gérson e Eliezer) de Moisés não sucedem o pai como líderes nacionais, nem formam a principal linhagem sacerdotal; mas sua descendência não desaparece. Ela continua entre os levitas e reaparece, séculos depois, em funções administrativas e de guarda dos tesouros no período

4) Percepções sobre semelhanças entre a Pascoa Cristã e o Pessach judaico:

  • Durante o tempo em que houve o Templo em Jerusalém, um hebreu precisava ir até este recinto sagrado em peregrinação 3 x ao ano. Pessach é uma delas
  • Jesus (Yeshua em hebraico) estava nesta cidade para esta comemoração
  • Data:
    • Pessach:
      • O judaísmo segue um calendário lunar
      • Pessach se inicia na primeira Lua Cheia da primavera (mês de Nissan no calendário judaico)
    • Páscoa
      • Que eu saiba é a única festividade religiosa Cristã que tem data móvel
      • O Concilio de Niceia determinou a data, mas não queria usar o mesmo conceito do judaísmo e na Lua Cheia após o equinócio da primavera, e sempre num domingo.
  • Cordeiro pascal: Em ambas as comemorações é servido um Carneiro Pascal
  • Ovos: em ambas as festividades este alimento tem uma grande importância:
  • A Hóstia e a Matzá:
    • Em Pessach não se consome alimentos fermentados e usamos a Matzá que é um pão ázimo, sem fermentação
    • Na Santa Ceia (que é um jantar de Pessach” Jesus consome este pão ázimo (Leonardo da Vinci errou na sua pintura, onde coloca pão nesta refeição)
    • A Hóstia possivelmente se deriva da Matzá
  • A Celebração Familiar
    • Nas duas há celebrações com a família em casa, com um farto jantar, com pão (Matzá) e vinho

Três peculiaridades sobre o Pessach:

1) Quando hebreus saíram fugidos do Egito, não tiveram tempo de deixar a massa do pão fermentar e assaram assim mesmo, chamado de Pão Ázimo (que hoje é conhecido como Matzá.)

2) Se deixa porta de casa aberta e um prato a mais é servido, para a possível vinda do Profeta Isaias, que anunciará a vinda do Messias. Cristo (que em grego significa Messias) pode ser o Messias, mas as profecias no Livro de Isaias (A paz Universal; o Lobo habitará com o cordeiro, Jerusalém como Centro Espiritual do Mundo etc.) não ocorreram na primeira vinda de Jesus

3) Desde a destruição de Jerusalém e do reino de Israel, pelo Imperador Tito, no ano 70 DC) os judeus rezam em Pessach: “LeShaná Haba’á B’Yerushaláyim

Arco de Tito em Roma, construído em 81 DC, mostra a destruição de Jerusalém e o saque do templo. Creio que nenhum outro povo tem gravado em pedra (erguida pelo seu destruidor) que este grupo de pessoas, tem origem milenar na Terra de Israel.

Na tradição judaica durante os 8 dias de Pessach não se pode consumir nada que tenha fermento (em hebraico Chametz) e se precisa tirar todo Chametz de casa, fazendo uma limpeza da casa de alto a baixo

Mas percebam quo Pessach ocorre (no Hemisfério Norte) no início da Primavera. A casa ficou trancada durante o inverno, para se proteger do frio. Pois bem agora é a hora de fazer um “Spring Cleaning”. Na interpretação de muitas várias regras dietéticas judaicas, como não comer carne de porco, lavar as mãos antes das refeições etc. foram na verdade Higienodietéticas

Meus desejos de “Uma Abençoada Páscoa de Ressureição” e “Que seja um Pessach de Liberdade, Luz e Recomeço”.

Que o Profeta Isaias anuncie a chega do Messias (em hebraico Mashíach, que significa o “ungido” e se lembrarem da Coroação d Rei Chales III, ele foi ungido com um óleo vindo de Jerusalém) e que a paz entre os povos aconteça

Este texto foi baseado em minhas ideias (muitas vezes erradas), escrito por mim, e corrigido pelo ChatGPT Pro

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